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Rede Formativa Peirô

Relato de experiência Peirô

Atualizado: 10 de dez. de 2025

Texto de Vanessa Peixoto


Me chamo Vanessa de Oliveira dos Santos Peixoto, sou estudante do curso de Licenciatura em Teatro na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Sou bolsista de iniciação científica junto ao Grupo de Pesquisa Teatro Flexível: Práticas Cênicas e Acessibilidade (CNPq/UFSM). Durante os projetos do coletivo, tive a oportunidade de participar de diversas oficinas, tanto como ministrante quanto como participante.


O Grupo de Pesquisa Teatro Flexível, coordenado pela Profa. Dra. Márcia Berselli, foi convidado pelo Coletivo Peirô para ministrar uma Oficina de Teatro e Acessibilidade, realizada no Espaço Cultural Victorio Faccin (TUI), no dia 19 de julho. A oficina foi destinada a professores, atores e atrizes-pesquisadores(as), agentes culturais, estudantes de Artes Cênicas e de Licenciatura em Teatro, além de demais interessados no tema. Foi uma experiência muito gratificante, que possibilitou discutir a acessibilidade em seus diversos aspectos, arquitetônico, atitudinal, cultural, entre outros.


Venho acompanhando o trabalho do Coletivo Peirô pelas redes sociais e participando das oficinas sempre que possível. Ter a experiência de atuar nesses dois espaços — tanto como ministrante quanto como aluna/participante — tem sido extremamente enriquecedor para minha formação acadêmica e artística. Neste relato de experiência gostaria de destacar a última Oficina promovida pelo grupo, Conhecendo o Teatro de Formas Animadas, ministrada pelo artista Gabe Felds. Tendo como proposta práticas no universo de Teatro de Formas Animadas. Neste dia conhecemos algumas técnicas de manipulação direta, híbrida e Teatro de objetos.


A oficina foi realizada na sala 1107 no prédio 40 CAL da UFSM. Começando com uma breve introdução ao tema e alguns exemplos práticos. O oficineiro Gabe Felds nos mostrou que todo e qualquer objeto pode se transformar em um boneco. Em seguida, realizamos algumas mobilizações corporais, focando em partes específicas do corpo, despertando a curiosidade de um “ser vivo” que habita em nós. Foi muito interessante perceber esse olhar atento para partes isoladas — como o próprio Gabe disse: “como se o nosso cotovelo tivesse olhos e quisesse ver a sala”. Essa proposta nos levou a pensar o corpo como um ser guiado por diferentes impulsos. Depois dessa etapa, seguimos manipulando objetos diversos, como fios de carregador, tecidos, tesouras, objetos de cozinha, prendedor de roupa e sacolas. Essa parte foi especialmente divertida, pois nos permitiu brincar com os objetos, dando vida e personalidade. Essa experiência me lembrou muito da minha infância, das brincadeiras com meu irmão, ele adorava brincar com sacolas de plástico amarradas, dizia que eram pequenos “homenzinhos”, foi um momento de reconexão com meu eu criança.


Grupo reunido em círculo em piso de madeira.
Oficina Conhecendo o Teatro de Formas Animadas, ministrada por Gabe Felds - Foto: acervo do Coletivo Peirô.

Em outro momento, transformamos papel pardo em bonecos, experimentando seus movimentos, suas relações com o espaço, o meio social, as emoções e a triangulação do boneco. Essa manipulação foi feita em duplas, gostei muito dessa relação: estar presente, mas deixando o foco no boneco, algo que para mim era novo. Minha única experiência é com fantoches, mas geralmente estou atrás de uma empanada. Há algo fascinante em dar vida a um objeto inanimado, em fazê-lo sentir, reagir, expressar curiosidade. Percebi como algo tão simples pode nos levar a muitos lugares, e comecei a refletir sobre o potencial disso no ensino, tanto dentro da proposta do coletivo quanto na minha própria experiência como estudante de Licenciatura em Teatro. Fiquei encantada

com a oficina e saí dela com vontade de continuar experimentando essas possibilidades de transformar objetos e criar narrativas que rompam com noções de normatividade, que também são impressas em bonecos.


Menino deitado sobre um tapete rosa, ao seu lado papel celofane e pompons de papel crepon.
Registro das experimentações nas aulas do Teatro Flexível - Foto: Vanesa Peixoto.

Como sou bolsista de pesquisa junto ao grupo Teatro Flexível, ministro oficinas de teatro para pessoas com e sem deficiência, todas as segundas e sextas-feiras. A partir da minha inquietação após essa oficina, utilizei alguns de seus princípios para planejar uma de minhas aulas. Nas oficinas que ministro, costumo trabalhar com experimentações livres com diversos recursos, baseando-me em princípios de Laban, contato improvisação, turning scores, entre outros – fazem parte da metodologia do grupo. Em algumas aulas, já estávamos experimentando movimentos não cotidianos, inspirados em figuras de animais, não para imitá-los, mas para compreender

as características do movimento.


A partir das ideias que surgiram na oficina, planejei uma atividade voltada à

criação de seres com objetos diversos. Nossas aulas não são pensadas a partir de uma normativa corporal, de um “corpo padrão”, e é justamente por isso que essa experiência me encantou. Levei vários recursos e organizei estações com tecidos, lanternas, papéis coloridos, figurinos e outros elementos cênicos.


Quadro branco com itens coloridos pendurados. abaixo, no chão, diversos materiais como tule, tecidos, chpéus, copos etc.
Estação com materiais diversos para experimentação em animação de objetos - Foto: Vanesa Peixoto.

Iniciamos com mobilizações corporais, direcionando a atenção para diferentes pontos do corpo, buscando dar vida ao movimento, não apenas pela visão, mas pela curiosidade de tocar, cheirar, ver e sentir. Em seguida, investigamos a relação do corpo com os objetos, tanto na manipulação quanto na transformação em ser. O vínculo entre a oficina e a proposta que realizei em aula me fez pensar sobre a subversão do objeto inanimado, que ganha vida, se relaciona e demonstra curiosidade.



Gostei muito da oficina e acredito que se trata de um projeto extremamente importante, tanto para o campo formativo e acadêmico quanto para a comunidade. São experiências simples, mas que subvertem estruturas, ampliam o olhar e despertam a imaginação. Penso no quanto seria rico levar esse tipo de prática para as escolas, criando universos subversivos e poéticos com materiais simples, como o papel pardo. Ainda não tive muitas oportunidades de presenciar as práticas do Coletivo Peirô nas escolas, mas fico curiosa e instigada para saber mais.


O que permanece em mim é uma sensação de fome artística e pedagógica, é um Fomo, essa vontade de querer mais, estudar mais, experimentar mais – e é claro, não estar de fora. Foi isso que o Coletivo Peirô me proporcionou: um desejo profundo de continuar criando e investigando, movida por muitas emoções e descobertas.




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