Rede Formativa Peirô: Teatro de Papel em Escolas Públicas de Santa Maria
- projetopeiro
- 23 de dez. de 2025
- 5 min de leitura
Texto de Andesron Martins
A Rede Formativa Peirô surge, a partir de um projeto cultural do Coletivo Peirô contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc em 2024, com o objetivo de desenvolver uma série de atividades gratuitas voltadas ao universo do teatro e da educação para professores de Educação Básica, estudantes das áreas de artes, pedagogia, artistas e agentes culturais de Santa Maria. A ideia base foi criar um espaço para discussão, trocas e compartilhamentos sobre a linguagem do Teatro de Formas Animadas, construir uma rede para emaranhar nosso desejo de investigação dessa linguagem e as possibilidades de diálogos com diferentes pessoas e contextos no espaço da Educação.

E tem dado certo! Nossa Rede possibilitou encontros preciosos através de ações como rodas de conversa, Vivências, oficinas prático-teóricas com profissionais diversos, mostras interativas e também a criação deste site e deste blog, outro espaço para dialogar sobre as Formas Animadas e expandir ainda mais essa Rede. Essas ações, além de fomentar a cena local, são atividades formativas importantes para o nosso coletivo, aprimorando nosso repertório técnico e artístico e nos colocando em contato com outros artistas e pesquisadores com as mais variadas bagagens, mas todos com a mesma paixão pelos bonecos e pelo teatro. Foram encontros tocantes e muito provocativos, e que instigam e reverberam criativamente em nossa produção no ateliê de criação do Peirô.
Há dois anos temos experimentado técnicas diferentes e explorado o uso de diversos materiais na construção dos nossos bonecos e cenários, porém, sem dúvida alguma, nosso material mais utilizado até então é o papel, em vários formatos, seja sulfite, papelão, cartolina, rolinhos de papel, jornal, papel machê, papel toalha… (ad infinitum)... A verdade é que esse material é muito versátil e oferece muitas possibilidades, por isso, como mais uma ação da Rede Formativa Peirô, levamos a oficina Teatro de Papel, juntamente de uma Mostra Interativa de Materiais, para cinco Escolas públicas de Santa Maria/RS.
Antes de chegarmos nas escolas é preciso falar da preparação para a oficina e mostra interativa. Nosso desejo era ofertar possibilidades variadas do uso do papel, mas que também fosse acessível, algo que os professores realmente pudessem produzir em seus contextos com seus alunos. Então começamos a construir vários tipos de bonecos de papel: desde dedoches, fantoches, bonecos de luva, silhuetas para sombras, até uma raposa totalmente articulada feita de caixas de papelão e rolos de papel, além de uma cabeça de elefante de quase 1,2 metros. Ok, parece que nos empolgamos um pouco e nem tudo que levamos para a Mostra nas escolas, era tão facilmente reproduzível assim. Mas levamos tudo do mesmo jeito, porque a ideia era mostrar possibilidades e referências diversas e também o “encanto” que o boneco provoca, ainda mais quando feito com materiais que normalmente vão para o lixo.
A recepção das escolas foi sempre muito positiva e entusiástica, os professores muito curiosos sobre os processos de construção de cada boneco, atentos e interessados. Nosso encontro com os grupos docentes iniciavam com uma breve introdução ao Teatro de Formas Animadas, apresentando alguns conceitos e também referências de artistas da área. Depois os professores podiam observar e manipular os bonecos expostos na Mostra enquanto conversávamos sobre os processos de construção desses bonecos. Em seguida, chegava a hora de colocar as mãos na massa. A hora da prática: propusemos a construção de dois tipos de bonecos de papel.
Em um primeiro momento, trabalhando individualmente, os professores foram instruídos para a construção de um boneco de boca articulada, feito a partir da dobradura de uma folha de ofício mais durinha. Dobras feitas, cola aplicada onde necessário e, estamos prontos para parte da “decoração”, onde cada participante tinha à disposição materiais como papel colorido, canetinhas, cola e lã para criar livremente seu próprio personagem. E os resultados não podiam ser melhores. É bonito ver os diferentes caminhos que cada pessoa toma quando cria algo, as escolhas e os detalhes vão revelando o boneco que vai nascendo ali.
Em um segundo momento de criação, reunimos os participantes em grupos de três ou quatro pessoas, para a construção de outro boneco de papel. Esse, bem maior, precisa de três animadores (um para as pernas, outro para um braço e cabeça, e um terceiro para outro braço e quadril). Para fazer esse boneco, cada grupo recebeu um pedaço de papel kraft medindo, mais ou menos, 1,50 metros, que eles deveriam cortar e amassar de acordo com nossa instrução. Depois de pronto, os grupos puderam experimentar seus bonecos. Essa técnica exige atenção ao trabalho coletivo para trazer vida ao boneco e, apesar de parecer mais complicada, logo os grupos estavam interagindo entre si com seus bonecos. Surgiam pequenas cenas, interações descontraídas, personalidades inusitadas, maneiras de caminhar, de olhar. Enfim, os bonecos facilmente produzidos, a partir de papel amassado, foram ganhando vida através do jogo teatral, do faz de conta, do ato de brincar. E foi uma satisfação acompanhar os professores e professoras se divertindo, brincando com bonecos feitos por eles mesmos.
Para nós, enquanto coletivo, fica evidente o entusiasmo dos professores e professoras ao conhecer mais sobre as Formas Animadas e ao perceber que não é, ou não precisa ser, algo distante e difícil, que os bonecos podem ser aliados e companheiros em diversos processos educacionais desde sua criação e construção até o momento de uma encenação, por exemplo. Enfim, o Teatro de Bonecos sempre esteve na escola, portanto um olhar mais especializado sobre o tema pode conduzir experiências ricas e transformadoras na vida dos estudantes. Construir bonecos, máscaras ou silhuetas com crianças de todas as idades pode ser uma alternativa acessível e criativa explorando materiais não-convencionais e os transformando em criações carregadas de afeto e significado.
Cada boneco carrega em si as marcas da vida de quem o fez, o que torna cada processo um íntimo exercício de presença. É bonito. E poder traçar esse paralelo entre arte e educação, enredar esses fios, e consolidar essa Rede, fez e faz muito sentido para nosso trabalho coletivo. A Rede já existe! Conhecemos muitas pessoas interessadas e interessantes, novos conhecidos e rostos que se repetiam a cada nova oficina. Aprendemos e trocamos muito. Fizemos amigos e parceiros. E percebemos que a caminhada pelo Teatro de Formas Animadas é longa e complexa, com muito a ser conhecido, aprendido e experienciado, mas também, que tem muita gente aberta e disposta para trilhar esse caminho. E isso dá, ainda, mais vontade de seguir!
Por fim, gostariamos aqui de agradecer às Escolas que abriram suas portas para receber essa iniciativa do Peirô e, também, às professoras e professores que participaram das atividades com verdadeiro interesse e entusiasmo. Cito abaixo os nomes das instituições:
E.M.E.F. Intendente Manoel Ribas;
E.M.E.I. Circe Terezinha da Rocha;
E.E.E.F. Celina de Moraes;
EMEF Dom Antônio Reis;
EMEF Rejane Garcia Gervini.
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Até a próxima!

































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